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Novembro de 2018

Muitas coisas aconteceram neste mês. A “História de Pescador” contada pelos alunos da Escola Sebastião Leite estava maravilhosa, e foi apresentada na própria escola quatro vezes. Depois, ela foi apresentada em outra escola, a E.M Maria Thereza Vidal mais duas vezes. A apresentação estava tão boa que aguçou o interesse dos alunos dessa escola!


Alunos da Escola Sebastião Leite se apresentam na Escola Maria Thereza

Cada vez mais vemos como a van é preciosa! Ela transporta a equipe do projeto, uma infinidade de materiais para as criações de bonecos, os próprios bonecos, seus adereços, as empanadas que são estruturas volumosas usadas nas Contações, e principalmente.... a van leva as crianças!

Terminada a Jornada na Escola Sebastião, no Bexiga, começou a da Escola Maria Thereza, que fica mais ao sul de Ilhabela, no Bairro de São Pedro. Ainda estava fresca na memória desses alunos a apresentação da História de Pescador, e a turma na primeira oficina estava bem curiosa.

Quem seria o avô dessa vez? E o avô da memória revelada foi seu Mario Costa, lá da Ilha da Vitória, que veio morar no Borrifos, junto com sua família, quando já tinha uns 20 anos. Sua neta, Maria Fernanda, ficou super orgulhosa de ver o avô dando entrevista, que foi mostrada numa das oficinas, e também pelo fato da história dele virar a Contação de sua turma.
Mas a história era comprida, e foi dividida em três partes, conforme as épocas de sua vida. Por essa razão ela foi chamada de Vida Caiçara – uma história em três tempos.  Na primeira parte, ele criança, na segunda, mais jovem, e na terceira em seu momento presente. Para três histórias, três subgrupos, cada um responsável por uma fase da vida de Seu Mário.

Nas oficinas, a meninada se esmerou na criação dos bonecos, que foram os diferentes personagens que iriam participar das três narrativas. Como vocês podem ver nas fotos, as cabeças têm sua origem em bexigas infladas.

Depois são colados muitos jornais picados em todo o contorno, e por aí vai... Só depois dela estar bem firme e seca é que se fez a pintura.

A pintura foi feita com tinta grossa que ajudou a dar forma às cabeças dos boneos.

Mas além dos bonecos, cada história precisa de diversos objetos que são recortados em papelão e depois pintados. Nasceram então os peixes, pequenos, médios, e grandes como tubarões. E também canoa, rede, lua, o galo que tem que cantar, senão não amanhece na vida dos pescadores.

Foram muitos os ensaios. A garotada teve que aprender como movimentar seus bonecos junto com as falas dos personagens que eles incorporam.

Os diálogos foram decorados. Durante os ensaios, os textos foram colocados na empanada para ajudar na memorização das três histórias criadas.

Chega enfim o dia da apresentação. E lá vai a vida caiçara de seu Mario ser contada e recontada pela criançada através de seus bonecos!   

O grupo da infância o mostrou pequeno, se divertindo na Ilha da Vitória. Ora caçando as baratinhas do mar (ou baratinhas das pedras), ora correndo com varinhas de bambu atrás das lavadeiras, que a gente costuma chamar de libélulas. De noite, em torno da fogueira, sua avó contava histórias do antigamente até que ele e seu irmão dormissem.  O público ficou encantado com os bonecos.

Já a turma que encenou sua juventude, mostrou uma aventura no mar. A história foi mais ou menos esta: numa viagem de canoa de voga para Ubatuba, ele e seus amigos pescaram vários e vários bonitos curricando a linha na navegação da canoa.

Os bonitos são peixes de muito sangue, e eles acabaram atraindo uma tintureira de galha preta (quer dizer, um tubarão). O bichão abocanhou a ponta da canoa que emborcou de proa, e todo mundo caiu no mar, inclusive os bonitos, que foram lampreando pro fundo d’água! Aí deu uma dúvida danada na tintureira: o que é melhor, uns caiçaras magricelos ou os bonitos sangrentos? Ainda bem que os escolhidos foram os bonitos! Sorte também dos nossos pescadores que logo em seguida veio uma canoa resgatá-los. Foi um alívio geral!

O terceiro grupo fez uma contação de fatos mais recentes da vida do Seu Mário. Ele se lembrou de uma vez que sua família e amigos queriam fazer um belo de um Azul Marinho para o almoço. (Azul marinho é um prato típico caiçara que vai peixe, farinha de mandioca, bananas verdes, tomates e condimentos).  No dia anterior Seu Mario e dois amigos foram colocar a rede para trazer o peixe bem fresco no dia seguinte. Ao irem visitar a rede, logo que o galo cantou, foi a maior surpresa: tinha uma Cambeba na rede. Cambeba é o nome que se dá para o tubarão martelo. E o espanto só cresceu: quando foram tirá-la da rede, ela deu à luz a várias cambebinhas!

Dá pra imaginar, evidentemente, que todas elas foram soltas. O pessoal em casa esperou em vão, mas se não teve peixe na panela teve história na memória!

Depois de cada apresentação, nossos jovens contadores de histórias recebiam muitos aplausos de seus colegas de escola, professores e funcionários. Foi uma manhã de festa para todos. Parabéns às crianças e à cultura caiçara!

 

O Projeto Memórias Reveladas tem patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental 

 

 

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