Dezembro de 2018

Chegamos em dezembro, e é hora de fazer uma retrospectiva do que aconteceu no projeto Memórias Reveladas em 2018. Tudo começou com uma residência artística de Luiz Laranjeiras com o grupo de Contadores de História do Pés no Chão. Ele passou alguns dias na entidade e deu início ao processo de montagem da peça Rapsódia Caiçara.

 

Até ficar pronta demorou um pouco. Foi preciso criar a história, os bonecos, adereços, as músicas, os figurinos, os objetos de cena, inventar a cara da tribusana (ventão que afunda canoas) e depois fazê-la impactar o público, pensar num barco que se veste e desveste, nossa....

 

Essa foi a cara da tribuzana que nossos artistas criaram.

 

Foi uma trabalheira doida, mas o fato é que ela estreou e foi no sul da ilha, na Escola Natã Ugo Soares. Depois dela, foi uma atrás da outra, isso até chegar nas escolas das comunidades tradicionais, onde quem passou a determinar a data da apresentação foi a condição do tempo. E o tempo não facilitou as coisas.

 

Essa foi a apresentação na Baía de Castelhanos, o Canto do Ribeirão

 

Todas as apresentações da Rapsódia Caiçara foram acompanhadas de Oficinas de Bonecos para os alunos, e esta dobradinha teve uma função: a peça colocou em cena o universo caiçara através do casal Bidico e Tontinha, e a oficina introduziu a arte da feitura de bonecos para os alunos.

 

A segunda fase - chamada de Jornada da Cultura Caiçara - começou na Escola Dercy de Castro Andrade, no bairro do Portinho. O mesmo grupo que participou da Oficina de Bonecos na primeira fase fez parte das Oficinas de Contação de História.

 

Este momento do projeto é muito importante. É nele que acontece a transmissão da cultura caiçara entre diferentes gerações. Histórias de vida contadas por caiçaras antigos, no caso avôs ou avós de alunos da escola visitada, são registradas e transmitidas para a turma de alunos que participam das Oficinas de Contação de História.

 

A partir daí elas se transformam num texto teatral que será encenado pelos alunos utilizando bonecos criados por eles. Os bonecos são os personagens das histórias contadas pelos avôs e avós, que naturalmente trazem consigo contextos sociais e familiares antigos, capturados através de lembranças vivas. Ao final, as narrativas encenadas com bonecos-personagens e diversos objetos cênicos específicos da história contada são apresentados para os demais alunos da escola.

Essas memórias têm revelado histórias de naufrágios na costa de Ilhabela, o antigo Pasquim caiçara, um tubarão que engoliu um braço humano e outro que mordeu a proa da canoa, aventuras no mar e cambebas que são soltas da rede de pesca com seus filhotes e não vão parar no prato do pescador.


Mas isso foi só o começo, pois neste novo ano muitas outras histórias irão ser contadas, trazendo o passado para o presente, dando vida e valor à cultura caiçara.


 

O Projeto Memórias Reveladas tem patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental 

 

 

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