Fevereiro de 2019

Em fevereiro,  começou a Jornada da Cultura Caiçara na Escola Natã Ugo, no Bairro do São Pedro, sul de Ilhabela. Fomos muito bem recebidos pela diretora Márcia Pombo e pela coordenadora pedagógica Elaine Bertocco. A turma é formada por alunos da Fase 2 do Ensino Infantil. Como eles são menores, a estratégia é adequar tudo o que acontece nas oficinas e apresentações à idade deles.



Assim como nas Jornadas anteriores, fomos buscar o conteúdo das histórias a serem contadas nas oficinas com familiares dos alunos. Isso aconteceu na Escola Sebastião Leite quando entrevistamos o Senhor Lourival Salinas, avô de Juan Salinas.


E também com o Senhor Mário Costa, avô da aluna Maria Fernanda, da Escola Maria Thereza Vidal.

Para as oficinas na Escola Natã Ugo, entrevistamos Dona Darcília e a Dona Antônia Costa, respectivamente avó e bisavó da aluna Ana Clara.

Dona Antônia falou sobre várias épocas da sua vida, desde a infância na Costeira da Ilha de Búzios.  Entre as brincadeiras que fazia, lembrou-se de quando escorregava morro abaixo sentada em folhas de coqueiro até despencar no mar. E lá era costeira, só tinha pedra e depois o mar. O pai brigava, mas não tinha jeito, as crianças continuavam escorregando.


Contou de algumas aventuras que viveu nas travessias em canoa de voga de Búzios para São Sebastião por causa do tempo ruim, quando ia buscar tratamento de saúde com os farmacêuticos da época.

Falou também sobre o Chatão do Inglês, uma embarcação que levava lenha para o trem e algum excedente da produção agrícola local para ser trocada por produtos que não tinham aqui, como carne seca, óleo, bolachas, macarrão, açúcar e sal, que eram trazidos na viagem de coleta seguinte. Naquela época não se usava dinheiro.

 


Sua filha, Dona Darcília, que é avó da Ana Clara, contou que viveu a maior parte de sua vida em Ilhabela. Do período que morou em Búzios falou sobre as brincadeiras que fazia no caminho para a escola, que era longe de sua casa. Disse que no trajeto subia em árvore para comer todo tipo de fruta, manga, goiaba, araçá, e depois que voltava pra casa ia nadar, que a vida dela lá era nadar. Já na Barra, em Ilhabela, com os irmãos, gostava de brincar na lama. Quando chovia, fazia casinha ou bolinha para tacar... Darcília convivia muito com seus irmãos e aprendia muitas coisas com eles, como por exemplo: fazer pipa, jogar bolinha de gude, soltar pião, só brincadeiras de moleque.


 

A partir deste relatos, estão sendo criadas as histórias que os alunos da Escola Natã Ugo irão apresentar ao final da Jornada. Serão usadas as memórias da bisavó, dona Toninha, especialmente conteúdos relacionados ao que ela contou sobre a vida em Búzios, o avô que lhe contava histórias, a brincadeira de escorregar, mergulhar, nadar. E também seus relatos sobre as travessias de barco para vir ao farmacêutico em São Sebastião.  

Nas primeiras oficinas as crianças aprenderam a brincar com o Jogo de Memória dos peixes, desenharam e deram início aos seus próprios bonecos. Elas também estão escutando histórias recontadas pela equipe do projeto, a partir das  entrevistas de Dona Toninha e Dona Darcília.


 

 

 

 

O Projeto Memórias Reveladas tem patrocínio da Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental 

 

 

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